O povo contra O.J. Simpson - Netflix

16:41

A década de 90 nos Estados Unidos foi palco de um dos maiores julgamentos da história desse pais: O caso do ex-jogador de futebol americano O.J. Simpson, acusado de duplo homicídio. Anos depois desse caso dramático e cheio de reviravoltas, surge a série “American Crime Story: O povo contra O.J. Simpson” produzida por Ryan Murphy, que também é o criador de American Horror Story e Glee, entre outros sucessos.
O objetivo da série é contar a história do julgamento e o que ocorre após a descoberta do corpo da ex esposa de Simpson, Nicole Brown Simpson. Para evitar processos, nota-se que é evitado o tempo todo cravar a culpa ou inocência de O.J. Mas, claro, se você assistir não há possibilidade de terminar pensando que O.J. é inocente. 
O julgamento de um homem culpado, em um caso em que a promotoria tem uma tonelada de provas. Como pode algo assim ser interessante? Acontece que O.J. tem muito dinheiro e contrata o que é chamado de “dream team” de advogados, uma equipe com os melhores defensores criminalistas da época. E é aí que a história vira um circo.

Johnnie Cochran, um dos advogados escolhidos por O.J. é um grande ativista dos direitos étnicos-raciais e se utiliza da grande influência que tem na mídia para transformar a maneira como todos enxergam o caso O.J. Entre uma série de desculpas estapafúrdias, a defesa principal é a de que O.J. só foi preso pelo crime porque é negro. Esqueçam as luvas cheias de sangue, o dna das vitimas no carro de O.J. e todas as provas técnicas – Cochran afirma que foi tudo uma grande armação da polícia Californiana para incriminar O.J.
Por mais que considere Cochran um pouco aproveitador, ele usa uma verdade incontestável como forma de defesa. A polícia da Califórnia tem policiais racistas e o racismo é uma realidade americana tanto hoje quanto naqueles longínquos anos 90. O próprio decorrer do caso demonstra que um desses policiais racistas da força policial acabou por estar mesmo trabalhando nesse caso. Mas isso significa que O.J. é inocente? Assistam a série e tirem suas conclusões mas minha resposta é: Nem. A. Pau.  

Do outro lado, na acusação, está a promotora Marcia Clark, na série dignamente interpretada  Sarah Paulson (não é à toa que a atriz recebeu um Emmy esse papel). O grande problema de Marcia é acreditar que o júri vai simplesmente enxergar as toneladas de prova que eles tem e se convencer que um dos maiores astros do país é um assassino. Nesse ponto Cochran é mais esperto: percebe que o júri são um bando de pessoas que entendem apenas de histórias. O júri não escolhe quem acha ser culpado ou inocente e sim quem tem a história que parece ser mais sentido.

Dez episódios são necessários para contar tudo o que aconteceu nesse julgamento que durou mais de um ano. Alguns momentos tem uma carga dramática bem forte e não poderia ser diferente, afinal os temas da série são (entre outros) homicídio, racismo, violência contra a mulher e machismo. Apesar de ser uma baita produção, não é uma série que você assiste para relaxar – você assiste “O povo contra O.J. Simpson” e fica p da vida boa parte do tempo.
Se você não conhece o final dessa história vai ser ainda mais legal ainda assistir mas, mesmo para quem já sabe, o suspense ainda é grande. Eu peguei um spoiler no meio da série e, mesmo com o que eu sabia, estava roendo as unhas no momento do veredicto. As atuações, a direção, a trilha sonora, tudo contribui para essa ansiedade para saber o que serão  decidido – mesmo quando a gente já sabe.

Sem contar a reflexão da invisibilidade da mulher que sofre violência. A esposa de O.J. tinha diversas queixas contra ele na polícia, nunca ninguém fez nada. Seria porque o ex-jogador era uma espécie de mito? Ou apenas mais uma realidade da época, que anda de mãos dadas com o racismo encontrado em alguns segmentos daquela polícia?

Se você gosta de séries de advogado, de tramas com dramas fortes e interessantes, com um roteiro muito bem feito e personagens que se pode gostar e não gostar em um único episódio (as atuações são muito boas), assista American Crime Story. Você vai ficar com raiva em boa parte dos episódios e chorar em outras mas, se gosta desse tipo de coisa, vai ficar admirado com a sagacidade dos advogados e com as reviravoltas no caso.

E, se isso não é motivo suficiente para você, saiba que há Kardashians nessa série: um dos advogados de O.J. é o pai da família mais polêmica da TV americana na atualidade. Alguns episódios até mostra as jovens Kloe, Kim e Kendall. A mãe delas, Kris, aparece um pouquinho mais. Nada muito decisivo mas, para quem gosta de ver Kardashians em tela, talvez seja interessante.

Seja por qualquer desses motivos ou por outros que você não leu aqui, fica essa dica para quando estiver afim de uma série boa e com poucos episódios. E que tem Na Netflix. 



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