Série Dear White People - 1ª Temporada

22:21

            Então, Sense8 foi cancelada. Choros, gritos, lágrimas, "pegação coletiva" como forma de protesto. Enfim, nada deu certo, e perdemos uma das séries mais legais da Netflix. Mas por que estou falando de Sense8 em um post sobre Dear White People?
            Depois que li esse texto do Contraditorium percebi que Sense8 era uma série com orçamento gigante mas retorno medíocre. O autor do post não tinha dados da audiência do programa na Netflix mas mostrou por A mais B que o Buzz gerado pela série das irmãs Wachowski na internet era muito menor ao de outras séries mais baratas, como House Of Cards ou até mesmo Orange is The New Black. Ou seja, mesmo que a audiência fosse baixa, nem o engajamento das pessoas ao redor da série justificaria uma nova temporada.
            Daí entra esse post sobre Dear White People, série que estreou esse ano também na Netflix e que está entre as minhas favoritas produzidas pelo serviço de Streaming. A segunda temporada de Dear White People ainda não foi confirmada e resolvi fazer a minha parte para isso acontecer - tentar convencer quem está lendo a assistir essa produção (ou ao menos descobrir que essa série existe por lá).
Mas do que fala Dear White People?

            A série acompanha Sam, uma garota que tem um programa na rádio da faculdade chamado "Cara Gente Branca". Nele, Sam escancara o racismo que existe na Universidade, seja em frases, gestos ou atitudes. O auge desse racismo é a festa "Blackface" em que vários brancos comparecem com os rostos pintados de preto, algo considerado extremamente racista (para entender melhor o porquê é considerado assim, leia esse texto).
            Sam é a típica militante de uma causa que acredita, o que faz com que se torne um pouco monotemática. Felizmente essa aura de perfeita defensora da causa negra é quebrada quando descobrimos que o namorado de Sam é branco. Não que haja problema nisso mas, em seu programa de rádio e posts nas redes sociais, Sam escreve justamente contra isso, daí vem a incongruência.
            Partindo dessa premissa, cada episódio de "Dear White People" é focado em um personagem diferente. O primeiro episódio foca em Sam e seu relacionamento interracial, depois Lionel, que busca seu espaço como um gay afroamericano dentro do campus, depois Coco, uma jovem que faz o possível para esconder suas raízes negras e Troy, que tem que bancar o filho perfeito do diretor.
            No último episódio todos esses pontos de vistas são mostrados de forma intercalada, para que possamos ver a mesma situação pelos olhos de vários personagens.


Por que você deve assistir

            Com tudo o que falei acima você já deve estar imaginando um dramão, certo? Mas, apesar dos temas pesados, Dear White People é uma série que trata de todos esses assuntos com bom humor ou, ao menos, uma ironia muito divertida. Claro, alguns episódios tem uma carga mais pesada mas, quando pensamos em todos os questionamentos que a série traz (cor, sexualidade, classe social...) até que o drama é bem equilibrado.
            Além disso, são 10 episódios que tem entre 20/30 minutos cada um. Eu, que sou a pessoa mais lenta possível para assistir qualquer série, vi toda a primeira temporada em uma única semana. Ajuda muito o tom bem humorado e a curta duração dos episódios, porque você assiste um atrás do outro, sem perceber.
            Claro, a produção não é perfeita. A maior limitação de "Dear White People" é que é uma série muito segmentada: o público-alvo dela são os negros norte-americanos. Os americanos tem toda uma cultura de segregação aos negros e a série trata muito disso. Para um brasileiro, que cresceu numa sociedade teoricamente miscigenada, algumas considerações ali parecem um tanto estranhas - o namorado branco da Sam ou o fato da personagem ser "mestiça" e, portanto, mais privilegiada, são apenas um exemplo.
            No entanto, há diversas discussões ali que podem ser aproveitadas para a nossa realidade. E, mais do que isso, a série é bem legal, tem personagens diferentes e carismáticos, não faz juízo de valor sobre as atitudes de seu protagonista (Sam não é melhor do que Coco por ser militante) e faz você rir ao mesmo tempo em que pensa sobre o racismo na nossa sociedade, principalmente entre os jovens.
Então... bora assistir?

            Apesar desses porém's na construção do roteiro e na segmentação para um público bem específico, recomendo 'Dear White People' para qualquer pessoa, negro ou branco, militante, não-militante, hetéro ou LGBTQ+.

            Sério, assiste lá, é rapidinho. E, se gostar, indique para um amigo - não vamos deixar "Dear White People" ser cancelada para só então valorizarmos, como aconteceu com sense8.


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1 | Comente!

  1. Depois que escrevi esse Post a Netflix anunciou que sense8 vai ter final hahaha

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