Qual é a cor do açúcar?

16:35

Correntes, insultos e discriminação. Características predominantes da escravidão brasileira em meados do século XIX ainda deixam suas marcas nos dias atuais. Recentemente, mãe e filha, clientes assíduas de uma loja num shopping de luxo do Rio de Janeiro foram surpreendidas com a acusação de furtarem objetos do estabelecimento. Depois de grande indignação - inclusive de outros clientes - e sem provas concretas, elas foram liberadas; liberadas da situação, mas o constrangimento e a incredulidade permanecem, nos fazendo questionar como algo tão arcaico e discrepante de uma sociedade pseudocivilizada ainda permanece? 
Muito antes que Portugal desembarcasse na Terra de Santa Cruz, o dinheiro já era o grande divisor de águas no quesito da estratificação social. Enquanto os latifundiários e senhores de engenho subiam grandes escalas na sociedade, os escravizados em tudo eram limitados e em nada possuíam direitos, além de pequena expectativa de vida. Em tese, o negro não vivia; o negro nascia para servir o branco e isso foi a marca geradora de todo preconceito que se estende até hoje. 
Embora tenha conquistado seu lugar na competitividade com o branco, alguns pontos ainda parecem ser questionados, como a capacidade dos mesmos. No âmbito da educação brasileira, por exemplo, houve a criação de cotas socioeconômicas e raciais. Ou seja, aqueles que anseiam por uma vaga numa instituição pública de ensino superior, se provarem determinada carência econômica têm vantagem sobre os demais. O mesmo acontece com afrodescendentes no quesito de raças. Mas, a adoção dessas medidas alegam a inferioridade intelectual ou é uma forma de compensar todo o passado que dificultou por muito tempo a integração do negro na sociedade "indisponibilizando" uma educação à altura do branco? 
Em oposição a essas diferenças, dois nomes se destacaram na luta contra a discriminação: Martin Luther King Jr., americano que, ironicamente, foi assassinado por um branco, e Nelson Mandela, ex-presidente da África do Sul e peça principal na oposição do Regime Apartheid. Ambos buscavam a conquista dos direitos políticos, econômicos e sociais, e embora grandes avanços tenham acontecido, como por exemplo, o atual presidente da maior potência mundial ser negro, o caminho é longo para se conquistar uma sociedade igualitária. Será que um branco em igual situação de mãe e filha teria a mesma abordagem no referido shopping? 
O principal discurso de Martin Luther King Jr. era sobre ter um sonho, mas o fim do preconceito é mais que sonhar. Ele provém de estereótipos, e estes devem ser quebrados a partir da consciência de que ser melhor, mais inteligente, mais capacitado ou mais digno, vai muito além da cor da pele. Embora escravo, o negro teve grande contribuição na construção do Brasil. De fato, a cor do açúcar não é branco.

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